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Resenha de livro: Paperweight



























 

Quando um livro aborda meus dois grandes interesses na leitura - a ficção (ou seja, que contem histórias imaginadas) e o assunto transtornos alimentares - eu vou atrás dele porque meu interesse é enorme! Havendo o cuidado com a linguagem e os possíveis gatilhos, estes livros podem ser importantes aliados para os tratamentos e para os profissionais da saúde.


Foi com essa proposta que o livro Paperweight, de Meg Haston, me atraiu.


O livro fala sobre a trajetória de Stevie, de dezessete anos, que é internada em um centro residencial de tratamento de distúrbios alimentares em Novo México. Isso significa que ela passa a ser vigiada e controlada 24 horas por dia em tudo o que come, faz e até para ir ao banheiro. Seu pai a inscreveu para sessenta dias de tratamento, mas Stevie não pretende ficar tanto tempo. Faltam apenas vinte e sete dias para o aniversário da morte de seu irmão Josh - a morte que ela causou. E se Stevie conseguir o que quer, faltam apenas vinte e sete dias para que ela se junte ao seu irmão.


Eu gostei muito do livro pela forma que o transtorno é abordado e seu tratamento é conduzido. Infelizmente, nem sempre livros sobre a temática conseguem abordar esses pontos de maneira não prejudicial. É preciso ter cuidado com a romantização destas doenças e o ensino de comportamentos inadequados.


Neste livro, o transtorno alimentar é bastante explorado em termos do seu sofrimento (embora a personagem não veja desta forma, como acontece nestas doenças), e é possível aprofundar nos gatilhos e causas envolvidos no processo de adoecimento.


No começo, inclusive, é até difícil ter empatia por Stevie, pois a "voz" do transtorno alimentar, que se sobressai, é arredia e arrogante.


Um diferencial do livro é a abordagem de tratamento. Geralmente os tratamentos residenciais (em que há a internação do paciente) ocorrem quando o paciente está em estado grave, com risco de morte importante, então a abordagem de tratamento é mais centrada no controle e monitoramento constante do paciente. Isso é importante, porém o centro de tratamento trazido no livro vai além, focando num atendimento humanizado e compassivo. A abordagem da Terapeuta é excelente, e só por isso o livro já vale ouro!


Infelizmente, o livro encontra-se apenas disponível na língua original, inglês, como é o que geralmente ocorre. Livros que abordem transtornos alimentares aliado à linguagem da ficção são extremamente raros em português (mas isso está mudando, estamos trabalhando nisso!) Mas achei interessante recomendá-lo mesmo assim, principalmente para os profissionais da saúde que trabalham com transtornos alimentares.


Avaliação: 4 de 5 estrelas
Pontos altos: tratamento humanizado oferecido pela Terapeuta; exploração das causas profundas do transtorno alimentar
Ressalvas: alguns pontos - como descrição de comportamentos alimentares inadequados, automutilação e suicídio - podem ser gatilhos para pessoas com quadros ativos de transtorno alimentar
Para quem indico: especialmente para profissionais de saúde. Leitura segura para pessoas sem transtorno alimentar mas curiosas pelo assunto; pessoas recuperadas de transtorno alimentar; e pessoas com transtorno alimentar ativo mas assistidas por profissionais de saúde.
Gatilhos: comportamentos alimentares inadequados, suicício, automutilação
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